1972 - Munique

Período: 26 de agosto a 11 de setembro
Países participantes: 121
Atletas: 7.123 (6.065 homens e 1.058 mulheres)
Brasil: 41º lugar
Esportes: 23

NÚMEROS BRASIL
Atletas: 89 (84 homens e 5 mulheres)
Esportes: 13 (Atletismo, Basquete, Boxe, Ciclismo, Futebol, Hipismo, Levantamento de peso, Judô, Natação, Remo, Tiro, Vela e Vôlei)
Medalhas: duas de bronze (Nélson Prudêncio, no salto triplo de Atletismo: Chiaki Ishii, na categoria meio-pesado, no Judô)


Terrorismo envergonha mundo na volta dos Jogos à Alemanha

As disputas políticas que ameaçaram tirar o brilho dos Jogos do México-68 mancharam de vez a Olimpíada quatro anos depois, em Munique. Uma organização terrorista palestina chamada "Setembro Negro" invadiu o alojamento da delegação de Israel na Vila Olímpica, matou dois atletas e fez nove reféns. Ao final de um dia de negociação, em que as competições foram suspensas, uma tentativa de resgate fracassada resultou na morte dos nove reféns, de dois policias alemães e dos cinco terroristas. O terrorismo que tanto preocupa os organizadores atualmente em Pequim, fazia sua estréia em Olimpíadas.

No total, o incidente paralisou os Jogos por 34 horas. Holanda e Noruega chegaram a abandonar a competição, mas voltaram atrás. Até o presidente do Comitê Organizador dos Jogos, o alemão Willi Daume, pediu o cancelamento do evento, mas o Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu seguir em frente.

Os Jogos de 1972 marcaram o início do gigantismo nas Olimpíadas. As instalações foram construídas sobre um antigo aeroporto utilizado antes da Segunda Guerra Mundial. A Vila Olímpica tinha capacidade para 16 mil pessoas. O Estádio Olímpico, com seu teto suspenso de lona transparente, é usado até hoje pelo Bayern de Munique.

Antes do início das competições, houve ameaça de boicote por parte de países da África, com o apoio da Iugoslávia e dos negros dos Estados Unidos, de ilhas do Caribe e do Paquistão. O motivo era a participação de uma delegação da Rodésia (onde hoje estão Zâmbia e Zimbábue), ex-colônia britânica que praticava o apartheid. O COI então retirou o convite à Rodésia.

Depois da vitória americana nos Jogos de 1964 e 1968, a União Soviética retomou a ponta no quadro de medalhas. Mas ao contrário do que acontecera em Tóquio, quando o destaque da Olimpíada havia sido a ginasta soviética Larisa Latynina, desta vez o herói foi um americano. O nadador Mark Spitz conquistou sete medalhas de ouro, estabelecendo um recorde que continua de pé até hoje. Como se não bastasse, ainda estabeleceu os novos recordes mundiais das sete provas. No México, ele já havia conquistado dois ouros.

Participando novamente de 13 modalidades e com cinco atletas a mais do que no México, o Brasil conquistou duas medalhas de bronze. No salto triplo, Nélson Prudêncio ganhou sua segunda medalha olímpica - ele já havia levado a prata quatro anos antes. Prudêncio saltou 17,05m, ficando 30cm atrás do vencedor, o soviético Viktor Saneyev, que lhe tirara a medalha de ouro em 1968.

O Brasil ganhou também sua primeira medalha no judô, esporte que daria muitas alegrias aos brasileiros nas Olimpíadas seguintes. O japonês naturalizado brasileiro Chiaki Ishii faturou o bronze na categoria meio-pesado. Ele é pai de Vânia Ishii.

Medalha dos Jogos
da Munique (1972)
CURIOSIDADES

- Resgatando a tradição de seus compatriotas nas corridas de fundo, o finlandês Lasse Viren conquistou o ouro nos 5.000 e nos 10.000m, este último de maneira sensacional, caindo ao chão depois de um choque no meio da prova e ainda se recuperando não apenas para ganhar a prova mas também para quebrar o recorde mundial. Viren ganharia novamente as mesmas provas em Montreal quatro anos depois, numa dobradinha espetacular, sendo o único atleta a ter conquistado quatro medalhas de ouro nas duas provas olímpicas de pista de longa distância, o chamado double-double.

- O tiro com arco e o handebol foram re-introduzidos no programa olímpico após grande período de ausência.

- Os Jogos de 1972 tiveram pela primeira vez um mascote, o cachorrinho linguiça Waldi.

- Pela primeira vez o juramento olímpico também passou a ser feito pelos juízes.

- Os velocistas americanos Ray Robinson e Eddie Hayes, franco favoritos na prova dos 100m rasos, ganharam facilmente suas primeiras baterias eliminatórias mas dormiram demais, perderam a hora da semifinal, foram eliminados e tiveram que assistir pela TV da vila a vitória do soviético Valery Borzov, que também ganhou a prova dos 200m.

- Munique também teve seu grande drama, mas este apenas esportivo, para os americanos. Campeões incontestes do basquetebol desde os Jogos de 1936, na mais absoluta supremacia que uma única nação teve sobre determinado esporte olímpico, viram a medalha de ouro sair de suas mãos neste Jogos, numa final emocionante e tumultuadissima contra a União Soviética, em que perderam de 51-50 graças a um polêmico erro na contagem do tempo, que permitiu aos soviéticos uma cesta no último segundo. Revoltados com o acontecido, se recusaram a receber as medalhas de prata, que até hoje se encontram guardadas num cofre na sede do COI na Suíça.

- Para os soviéticos, eternos vice-campeões nessa disputa do basquete com os americanos, esta conquista teve tamanha importância e alegria, que oito anos depois, nos Jogos de Moscou, coube ao capitão desta equipe de Munique, Aleksander Belov, a honra de entrar no estádio empunhando a tocha olímpica na cerimônia de abertura.

- Foi a primeira vez que os Jogos Olímpicos foram transmitidos ao vivo para o Brasil.

HERÓI DOS JOGOS - MARK SPITZ

Mark Andrew Spitz é o maior nadador olímpico de todos os tempos e recordista de medalhas de ouro numa mesma Olimpíada, ao conquistar sete em diversas modalidades, quebrando sete vezes o recorde mundial destas provas, durante os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972.

Aos dez anos, Spitz começou a mostrar seu potencial para o esporte, ao quebrar dezessete recordes nacionais e um recorde mundial da natação para a sua faixa de idade. Depois de passar toda a adolescência como o mais promissor dos jovens nadadores americanos, ele conquistou, aos dezessete anos, cinco medalhas de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, em 1967.

Apesar de favorito para as provas de natação dos Jogos Olímpicos da Cidade do México em 1968, Spitz foi afetado pela altura da capital mexicana e conquistou apenas duas medalhas de ouro, por equipes, nos 4X100 e nos 4x200 livres, ficando com as medalhas de prata nas provas individuais dos 100m nado livre e dos 100m nado borboleta.

Desapontado com sua performance no México, ele voltou aos Estados Unidos e entrou para a Universidade de Indiana, onde passou a ser treinado pelo famoso técnico Doc Counsilman, que havia sido o treinador da equipe norte-americana de natação nos Jogos de 1968. No período de 1968 a 1972, sob a guarda de Counsilman, Mark venceu todos os campeonatos norte-americanos de natação e tornou-se o Nadador do Ano de 1969, 1971 e 1972 em todo o mundo e Atleta Amador dos Estados Unidos, em qualquer esporte, em 1971.

De volta aos Jogos Olímpicos, em Munique 1972, Spitz entrou para a história ao conquistar sete medalhas de ouro nas provas da natação, quebrando o recorde mundial de todas elas, feito jamais igualado até hoje e tornando-se o grande nome da natação norte-americana e mundial em todos os tempos. Spitz disputou e venceu os 100m livre, 200m livre, 100m borboleta, 200m borboleta, 4x100m livre, 4x200m livre e 4X100m estilos (medley).

Seus feitos, entretanto, foram obscurecidos pelo famoso Massacre de Munique, que custou a vida de 11 atletas israelenses, seqüestrados na vila olímpica e mortos por terroristas palestinos durante os Jogos. Spitz, americano de origem judaica, foi retirado às pressas do país por forças de segurança dos Estados Unidos.

Após Munique, Spitz retirou-se da natação com apenas 22 anos de idade e enriqueceu fazendo comerciais de todo tipo de produto – foi sua época de garoto de ouro dos EUA - e a participar de programas famosos da tv americana, mas, desconfortável com essa carreira para a qual reconhecia não ter talento, retirou-se definitivamente do show-business ainda nos anos 70.

Em 1991, o diretor de cinema Bud Greenspan ofereceu-lhe um milhão de dólares para que ele voltasse às piscinas e tentasse se qualificar para disputar as seletivas norte-americanas para os Jogos de Barcelona de 1992. Aos 41 anos e filmado pelas câmeras de Greenspan, Spitz tentou por diversas vezes mas não conseguiu atingir os índices oficiais.

 

   

 

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