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Período: 12 a 27 de outubro
Países participantes: 112
Atletas: 5530 (4750 homens e 780 mulheres)
Brasil: 35º lugar
Esportes: 20
NÚMEROS BRASIL
Atletas: 84 (81 homens e 3 mulheres)
Esportes: 13 (atletismo, basquete, boxe, esgrima, futebol, hipismo, levantamento de peso, natação, pólo aquático, remo, tiro, vela e vôlei)
Medalhas: uma de prata (Nélson Prudêncio, no salto triplo do atletismo) e duas de bronze (Servílio de Oliveira, na categoria moscas, no boxe, e Reinald Conrad e Bukhard Cordes, na Flying Dutchman, na vela).
Mundo fervilha e atletas voam na altitude mexicana
No ano de 1968, o mundo fervilhava. A China vivia o início da Revolução Cultural. Na antiga Tchecoslováquia, tanques soviéticos esmagavam os protestos populares no que ficou conhecido como "Primavera de Praga". Na França, o governo enfrentava manifestos estudantis e nos Estados Unidos foram assassinados o presidente Robert Kennedy e o líder negro Martin Luther King. No Brasil, os protestos contra a Ditadura Militar eram duramente repreendidos, no que culminaria com a assinatura do Ato Institucional número 5, em dezembro.
Mesmo o México vivia problemas políticos. Pouco antes do início dos Jogos, 300 mil estudantes e professores entram em greve. Dez dias antes da cerimônia de abertura, tropas do governo abriram fogo contra manifestantes na Praça das Três Culturas, matando centenas de jovens.
O clima de revolta em todo o mundo se refletiu na cerimônia de premiação dos 200m rasos. Os americanos Tommie Smith e John Carlos, respectivamente ouro e prata na prova, ergueram o braço esquerdo com o punho fechado, reproduzindo a saudação dos movimentos de resistência negra. Os dois velocistas foram mandados de volta aos Estados Unidos, mas outros atletas negros continuaram fazendo protestos até o fim dos Jogos.
Pela primeira vez as duas Alemanhas competiram separadas, com os nomes de Alemanha Oriental (comunista) e Ocidental (capitalista). África do Sul e China não foram convidadas a participar.
A escolha da Cidade do México para sediar os Jogos levantou polêmica por causa de seus 2.240m de altitude. Médicos diziam que a prática esportiva em altitude tão elevada seria prejudicial. Mas a principal conseqüência foi que houve várias quebras de recorde nas provas de velocidade, mas os atletas sofreram nas provas de resistência. Quem se destacou foram países como Etiópia e Quênia, onde os atletas estavam acostumados à altitude.
O México teve a pior colocação de um país-sede na história dos Jogos, ficando em 15º lugar, com apenas nove medalhas.
Uma novidade importante da Olimpíada de 1968 foi a introdução do controle antidoping e das provas de comprovação de sexo para as mulheres. Havia suspeita sobre as características físicas de algumas atletas do bloco socialista. Nenhuma mulher foi reprovada no exame e houve apenas um caso de doping: o do pentatleta sueco Hans-Gunnar Liljenvall, que havia ingerido álcool em excesso. A substância é usada pelos atletas para acalmar os nervos antes da prova de tiro. Liljenvall alegou que bebera apenas duas cervejas, mas a equipe sueca foi desclassificada.
O salto em altura viveu uma revolução no México, quando o até então desconhecido americano Richard Fosbury ganhou a medalha de ouro. Ele foi o primeiro atleta a saltar de costas para a barra, passando primeiro a cabeça e depois o resto do corpo. Antes, os altetas saltavam de frente para a barra.
O Brasil conseguiu no México uma medalha de prata no atletismo e dois bronzes - um no boxe e outro na vela. Oito anos depois de Adhemar Ferreira da Silva conquistar o bicampeonato olímpico, o salto triplo deu mais uma medalha para o Brasil. Nelson Prudêncio saltou 17,27m e estabeleceu o novo recorde mundial. Mas na última tentativa o soviético Viktor Saneyev alcançou a marca de 17,39 metros, conquistando o ouro.
Servílio de Oliveira conquistou a primeira e única medalha do Brasil no boxe, com bronze na categoria meio-médio, após ser eliminado nas semifinais pelo mexicano Ricardo Delgado. Na classe Flying Dutchmann, os iatistas Reinald Conrad e Bukhard Cordes também garantiram o bronze.
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Medalha dos Jogos
da Cidade do México (1968) |
CURIOSIDADES
- O norte-americano Bob Beamon ganha a medalha de ouro no salto em distância com aquela que por muitos é considerada a mais espetacular marca já atingida no atletismo. Ajudado pelo ar rarefeito dos 2.300 m de altura da capital mexicana, Beamon conseguiu um salto de 8,90m de extensão, mais de meio metro acima do recorde então vigente, marca tão fantástica que até hoje se mantém como recorde olímpico e durante mais de vinte anos foi o recorde mundial.
- Na Cidade do México, todas as provas do atletismo , dos 1500 m até a maratona foram ganhas por atletas da África, marcando a alvorada do espetacular e completo domínio que este continente teria no atletismo de longa distância a partir da década de 70 até os dias de hoje.
- O homem finalmente quebra a barreira dos 10s para os 100m rasos com Jim Hines, dos Estados Unidos, que ganha a medalha de ouro com a espetacular marca de 9s90.
- A mais popular atleta no México foi a ginasta tcheca Vera Caslavska. Após a invasão da Tchecoslováquia pelos tanques soviéticos dois meses antes dos Jogos, Caslavska desapareceu de seu país e se escondeu em lugar desconhecido por três semanas, para reaparecer de repente na capital mexicana e ganhar quatro medalhas de ouro e duas de prata.
- Nestes Jogos, uma nova pista de atletismo, a mais moderna e rápida do mundo, feita de um novo material chamado tartan, apareceu em competições internacionais.
- Este ano marca também a revolução no estilo do salto em altura. Dick Fosbury, um desconhecido universitário norte-americano, surpreende a todos ao ganhar a medalha de ouro e quebrar o recorde olímpico da prova saltando de costas a barra de altura e inventando o Salto Fosbury, - em que o atleta corre de frente para a barra, gira no ar e passa o sarrafo de costas - que a partir daí seria copiado por todos os atletas especialistas nesta prova. Depois da Cidade do México, o tradicional pulo de frente para ultrapassar a barra no salto em altura, usado desde Atenas, virou coisa do passado.
- John Akhwari, da Tanzânia, fica mundialmente famoso após completar a maratona em último lugar, com a perna enfaixada e o joelho deslocado por uma queda. Interrogado depois pelos jornalistas porque havia continuado assim mesmo, foi simples e humilde na resposta: "Meu país não me mandou aos Jogos Olímpicos para começar a maratona, mas sim para terminá-la". - Os Jogos do México foram a primeira de três participações olímpicas de um iatista belga chamado Jacques Rogge. Trinta e três anos depois, em 2001, ele se tornaria o Presidente do Comitê Olímpico Internacional.
- Um jovem americano judeu chama alguma atenção na piscina do parque aquático olímpico, ao ganhar duas medalhas de ouro, nada muito impressionante para um nadador americano, soberanos neste esporte. Mas o que ele faria nos Jogos seguintes nas piscinas de Munique deixaria perplexo o planeta inteiro e entraria para os anais da natação, dos Jogos e do esporte mundial como o feito mais impressionante já realizado dentro ou fora de uma piscina em qualquer época: o nome dele era Mark Spitz.
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HERÓI DOS JOGOS - ALFRED OERTER JR.
Alfred Adolf 'Al' Oerter Jr. foi um atleta norte-americano, tetracampeão olímpico e ex-recordista mundial do lançamento de disco. Al Oerter começou sua carreira de atleta por acaso, aos 15 anos, caminhando num parque, quando um disco caiu perto de seus pés e ele o lançou de volta ao grupo que praticava o lançamento, mas o disco caiu muito depois do local eles se encontravam. Incentivado pelo fato, começou a treinar para o esporte ao mesmo tempo em que passava a cursar a Universidade do Kansas, em 1954.
Tendo um talento natural para o esporte (1,93 m e 127 kg) Oerter começou a se destacar nos torneios universitários e em 1956 conseguiu a qualificação para representar os Estados Unidos nos Jogos de Melbourne. Entrando na competição sem ser o favorito da prova, Al lançou o disco a 56,36m, seu melhor lançamento até então, e conquistou a medalha de ouro.
Sua carreira parecia acabada aos vinte anos de idade quando ele sofreu grave acidente automobilístico no ano seguinte e quase morreu. Entretanto, conseguiu com muito esforço se recuperar a tempo de participar dos Jogos de Roma em 1960, onde teria que competir com seu compatriota favorito ao ouro e então recordista mundial Rink Babka. Perdendo para Babka até o quarto lançamento e aconselhado pelo companheiro antes do quinto, Oerter lançou o disco a 59,18m, quebrando o recorde olímpico e ganhando novamente a medalha de ouro.
Em 1964, após quebrar o recorde mundial em 1962, ele era o franco favorito para uma terceira medalha nos Jogos de Tóquio, mas uma contusão no pescoço pouco antes das Olimpíadas o fez participar da prova sob forte dor, impedindo-o de realizar o último lançamento. Mesmo assim, sua qualidade como lançador na época era tão superior aos demais, que Al conseguiu vencer a prova quebrando seu próprio recorde olímpico com um lançamento de 61,00 m e conquistando o tricampeonato olímpico.
Ele retornou uma última vez às Olimpíadas de 1968 na Cidade do México, mas agora sua posição de favorito na prova que por tantos havia dominado já havia sido superada pelo compatriota Jay Silvester. Aos 32 anos, Al era dado como acabado para uma competição do nível das Olimpíadas, e jamais tinha lançado o disco às mesmas distâncias em que Silvester tinha conseguido nos anos anteriores.
Mas aqueles eram os Jogos Olímpicos, onde Al Oerter se sentia em casa, era o maior nome da história do lançamento do disco e o tricampeão olímpico. Na prova, a experiência e a raça de Al falaram mais alto e ele derrotou seu compatriota com um lançamento de 64,78m, novamente recorde olímpico e se tornando o primeiro atleta do mundo a conquistar quatro medalhas de ouro consecutivas na mesma modalidade do atletismo.
Retirou-se do atletismo em 1968, mas voltaria ainda a assombrar o mundo do lançamento do disco doze anos mais tarde, em 1980, quando aos 43 anos tentou novamente a qualificação para os Jogos de Moscou ficando em quarto lugar e conseguindo o melhor lançamento de sua vida, 69,43m, alguns meses mais tarde (nota: no sistema qualificatório norte-americano, disputado num torneio Pré-Olímpico (Olympic Trials) específico para cada esporte, os três primeiros de cada prova estão classificados para disputar as Olimpíadas e o quarto fica como reserva).
Ele recebeu sua última honraria internacional quando foi escolhido para ser um dos carregadores da tocha olímpica dentro do Estádio Olímpico de Atlanta nos Jogos de 1996, aos 59 anos de idade.
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