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Período: 29 de julho a 14 de agosto
Países participantes: 59
Atletas: 4.066 (3.738 homens e 328 mulheres)
Brasil: 36º
Esportes: 19
NÚMEROS BRASIL
Atletas: 79 (68 homens e 11 mulheres)
Esportes: 11 (atletismo, basquete, boxe, esgrima, hipismo, natação, saltos ornamentais, pentatlo moderno, remo, tiro e vela)
Medalhas: um bronze (torneio masculino de basquete)
Olimpíada do pós-guerra é marcada pela superação
Nem a destruição causada em Londres pela Segunda Guerra Mundial (1939-45) - que impossibilitou a realização das Olimpíadas por duas vezes -, impediu os ingleses de organizarem os Jogos em 1948. O Comitê Olímpico Internacional (COI) nesta época também estava destroçado. O barão de Coubertin e o belga Henri Baillet-Latour, seu substituto, haviam morrido durante a guerra. Ainda assim, o presidente interino, o sueco Sigfrid Edstroem, levou os Jogos adiante, doze anos após a última edição, em Berlim-36.
Assim como os Jogos de 1920 aconteceram em Antuérpia, uma homenagem do Comitê Olímpico Internacional ao sofrimento do povo belga durante a Primeira Guerra Mundial, Londres teve a honra de organizá-los pela segunda vez em virtude do martírio que a cidade havia sofrido durante a guerra, especialmente com os bombardeios perpetrados pela força aérea nazista durante o período de 1940-41, que devastaram a capital inglesa.
Depois de seis anos de um conflito com milhões de vítimas e um custo financeiro impossível de se calcular, tanto a Europa quanto a Grã-Bretanha estavam arrasadas economicamente, o que tornou extremamente árdua a tarefa de organizar os Jogos. De qualquer modo, os organizadores conseguiram fazer um evento digno, restaurando o famoso Estádio de Wembley - hoje já demolido e refeito novamente - para servir como palco central dos Jogos Olímpicos.
Alguns atletas também morreram na guerra. Várias nações pediram a exclusão dos países perdedores no conflito, mas apenas a Alemanha não foi convidada. O Japão recusou o convite e a Itália decidiu mandar seus atletas. A União Soviética preferiu manter sua política de isolamento e ficou ausente dos Jogos, como já havia acontecido nas cinco edições anteriores.
Histórias de superação não faltaram em Londres. A mais impressionante foi do atirador húngaro Karoly Takacs. Militar, ele havia perdido a mão direita, com a qual segurava as armas, após a explosão de uma granada defeituosa. O atirador passou a treinar com a mão esquerda e se sagrou campeão olímpico de tiro rápido com pistola.
O Brasil interrompeu o longo jejum de 28 anos sem ganhar uma medalha graças ao bronze da Seleção masculina de basquete, que perdeu para a França nas semifinais, mas venceu o México na disputa do terceiro lugar. Em Antuérpia-1920, as três medalhas brasileiras haviam sido conquistadas no tiro.
A Seleção de basquete era formada por Alberto Marson, Alexandre Gemignani, Alfredo Rodrigues da Mota, Affonso Azevedo Évora, João Francisco Brás, Luís Benvenuti, Marcus Vinícius Dias, Massinet Sorcinelli, Nilton Pacheco de Oliveira, Ruy de Freitas e Zenny de Azevedo (Algodão).
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Medalha dos Jogos
de Londres(1948) |
CURIOSIDADES
- Os Jogos de Londres foram os primeiros a serem transmitidos por televisão para residências particulares, apesar de pouco vistos, pois pouquíssimas pessoas no Reino Unido tinham aparelhos residenciais.
- O mundo foi apresentado àquele que seria o sucessor do fundista finlandês Paavo Nurmi no pós-guerra, o tcheco Emil Zatopek, campeão olímpico dos 10.000m. Quatro anos depois, em Helsinque, Zatopek, apelidado de 'A Locomotiva Humana' pela sua arrancada impressionante na volta final das provas, surpreenderia o planeta com seus resultados.
- Pela primeira vez foram usados os blocos de largada no chão para apoiar e impulsionar os pés dos corredores nas provas rápidas do atletismo.
- As mais dramáticas imagens dos Jogos foram novamente na Maratona, quando o belga Etienne Gailly entrou no estádio de Wembley liderando a prova de tal maneira desidratado e desorientado, que praticamente andou se arrastando toda a última volta até a linha de chegada, sendo ultrapassado por dois corredores, mas ainda conseguindo a medalha de bronze. Estas imagens se repetiriam 36 anos depois nos Jogos de Los Angeles, em 1984, de maneira ainda mais pungente, desta vez na estréia da maratona feminina, com a suíça Gabriella Andersen-Scheiss.
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HERÓI DOS JOGOS - FRANCINA ELSJEN KOEN
Francina 'Fanny' Elsje Blankers-Koen fez história nos jogos de Londres-48 ao vencer quatro provas do atletismo, e foi considerada posteriormente a Atleta Feminina do Século, pela Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF).
Em 1938, ela conquistou seu primeiro resultado significativo ao levar a medalha de bronze nos 100 metros rasos do Campeonato Europeu de atletismo. Com o estouro da Segunda Guerra Mundial, os Jogos Olímpicos de 1940 e 1944 acabaram cancelados, mas Fanny continuou dedicando-se ao atletismo durante o período da guerra. Em 1946, poucas semanas após dar a luz a sua segunda filha, ganhou o ouro nos 80 metros com obstáculos do Campeonato Europeu de Atletismo.
Mas seu feito mais notável ficou guardado para os Jogos de Londres, em 1948, quando ganhou suas quatro medalhas de ouro olímpicas, nos 100 e 200 metros, nos 80 metros com obstáculos e no revazamento 4x100 metros rasos, e se tornou o maior nome daqueles Jogos.
Durante sua vida esportiva, 'Fanny' bateu vinte recorde mundiais em provas de velocidade, com obstáculos, nos saltos em altura e distância e no heptatlo. Fanny Blankers-Koen morreu aos 85 anos em decorrência do mal de Alzheimer em sua casa em Hoofddorp, Holanda, em 2004.
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