Lenny 'solta o verbo' e acusa médicos do Figueirense

Atacante foi dispensado do clube em agosto, mas não aceitou proposta e agora treina separado do elenco

Lenny (Foto: Tom Dib) Lenny treina separado do grupo no Figueirense. Em oito meses foram apenas oito minutos em campo (Foto: Tom Dib)

Craque do Futuro
Publicada em 01/10/2011 às 10:50
São Paulo (SP)

De promessa ao declínio. Assim está sendo a carreira do atacante Lenny no futebol. O menino de Xerém, que despontou como o novo craque do Fluminense em 2005, hoje vive uma realidade diferente em Florianópolis. Com apenas 23 anos, o garoto foi dispensado em agosto do Figueirense, mas não aceitou o acordo proposto e agora treina separadamente do elenco.

Embora o clube tenha divulgado sua saída, Lenny ainda recebe. Ele passa seus dias treinando em uma academia por contra própria e jogando peladas com os amigos.

– Eles divulgaram a lista para aparecer na mídia e satisfazer a torcida, mas continuo aqui. Eles falam que diminuiu a folha salarial, mas estão me pagando – disse.

Na passagem no Figueira, Lenny atuou apenas oito minutos em um jogo oficial. Sem conseguir se recuperar das lesões, o atacante acredita que os médicos do clube impediram que ele chegasse a sua condição física ideal apressando o seu retorno aos gramados:

– Nos últimos treinos não conseguia chutar a bola. Eles exigiam e eu só conseguia correr um pouco. Os médicos falavam ‘você precisa continuar’. Não tem cabimento.

A decisão do Figueirense em afastá-lo, entretanto, pode provocar um atrito judicial. De acordo com o advogado Eduardo Novaes Santos, o clube pode ser acusado de cometer discriminação com o empregado (veja abaixo).

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A reportagem tentou ouvir os médicos, mas eles não atenderam. O gerente de futebol do Figueirense, Chico Lins, confirmou o afastamento e classificou a contratação do atacante como uma transferência não acertada.

– Ele não conseguiu superar emocionalmente a lesão muscular e tomamos uma atitude. O mercado ainda não demonstrou interesse em contar com ele – declarou.

O discurso é seguido por Jorginho. O treinador garante que Lenny recebeu todo o suporte do clube e não houve nenhuma precipitação da comissão técnica.

Enquanto isso, Lenny conta os dias para voltar a defender um novo time e resgatar os holofotes que um dia o iluminaram no futebol.

Bate-Bola - Lenny

Por que você quase não jogou?
Cheguei bom, mas sem condições de entrar e jogar. Precisava de um mês. Mas tive de voltar a jogar. Todas as lesões aqui foram assim.

Então faltou tempo para você?
Eles tiveram oito meses para me deixar bom e não conseguiram. Agora, eu jogo peladas. São as quatro linhas do mesmo jeito.

Você acha que a decisão de dispensá-lo foi de Jorginho?
A decisão foi em conjunto, entre diretoria e comissão técnica. Não importa quem foi, não estou nem aí. Quero que resolvam a situação.

E como é a sua nova vida?
Agora estou no meu melhor momento com a cidade, aproveitando como se estivesse no Rio.

Com a palavra - Eduardo Novaes - Especialista em direito do esporte

O clube pode dispensar o jogador, porém não pode afastá-lo. O afastamento é considerado uma discriminação do emprego. O atleta precisa atuar em plenitude, não pode apenas ficar correndo em volta do campo ou fazendo trabalho físico. O empregador pode dispensar pagando todas as multas rescisórias. Em caso de não pagamento, o atleta pode pedir rescisão na justiça, podendo até alegar ato moral. Infelizmente isso acontece bastante, pois é uma forma do clube coagir o atleta a forçar um acordo para sair.

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