Defederico: chega ao fim um dos piores investimentos do Timão

Término do vínculo contratual do argentino com o Corinthians põe fim a um dos piores investimentos do clube nos últimos anos. Foram R$ 10 milhões desperdiçados!

Felipe Bolguese e Rodrigo Vessoni - 10/08/2013 - 09:40 São Paulo (SP)

Defederico jogou apenas um ano pelo Corinthians e ficou emprestado nos outros três

Um dos piores investimentos do Corinthians nos últimos anos, enfim, fará parte do passado. É que no próximo dia 31, depois de quatro longos anos, Matías Defederico estará oficialmente sem vínculo com o Alvinegro.

Em agosto de 2009, para tirá-lo do Huracán (ARG), os empolgados dirigentes, incentivados pelo departamento de marketing, aceitaram pagar 5 milhões de dólaress por 80% dos seus direitos econômicos – outra parte ficou de posse dos empresários. Na ocasião, com o dólar estabilizado, o gasto ficou em R$ 10 milhões.

Pelo retorno que foi dado pelo meia-atacante à equipe, as cifras se tornaram um prejuízo (e tanto!) para os cofres alvinegros. O ex-camisa 10, que chegou a ser chamado de “novo Messi” pelo então diretor de marketing Luis Paulo Rosenberg, disputou apenas 34 jogos pelo Corinthians na temporada de 2010, ano do Centenário do clube. Foram apenas três gols marcados e quase nenhuma assistência. Um fracasso retumbante!

E MAIS:
> Tite defende Pato e fala em atacante 'sujando calção'
> Treinador diz que não falta vontade no Corinthians
> Emerson volta aos treinos e deve pegar o Vitória

O término do contrato, certamente, será comemorado pelos dirigentes, já que durante o período em que esteve emprestado para clubes argentinos foi o Corinthians quem bancou parte dos salários. Tanto no Independiente quanto no Huracán, seu atual clube, Defederico não conseguiu se destacar. Aquele que encantou a Argentina, chegou à seleção do seu país e fez uma dupla de ataque inesquecível com Javier Pastore, hoje no PSG (FRA), não ressurgiu após ser liberado pelo Timão que, com Tite, não quis seu retorno.

E não quis porque, além de não demonstrar bom desempenho em campo, ainda derrapou fora dele. Viciado em pôquer e sofrendo de insônia, Defederico passava madrugadas em jogatinas, com apostas em casas noturnas da Zona Leste paulistana. Em algumas situações, ele sequer voltava para casa antes de se apresentar para treinar no CT Joaquim Grava no período da manhã. O dinheiro perdido com o jogo de cartas acabou afetando a relação até com o treinador (leia mais abaixo).

Em tempo: a reportagem do LANCENet! tentou ouvir dirigentes sobre todo o prejuízo da negociação, mas os mesmos não atenderam as ligações.


EXPLOSÃO E QUEDA DE DEFEDERICO:

2009 - Ao lado de Javier Pastore, hoje no PSG (FRA), Matías foi um dos protagonistas da incrível campanha do Huracán (ARG) no Torneio Clausura, quando esteve muito perto de faturar o título.

2009/2010 - Depois de uma negociação bastante conturbada, Defederico foi contratado pelo Corinthians por 5 milhões de dólares(cerca de R$ 10 milhões à época). O jogador não conseguiu render o que se  esperava e terminou a temporada em baixa, chegando a ser “rebaixado” para a equipe sub-23.

2011 - Sem aval do técnico Tite para ficar, Defederico foi emprestado ao Independiente (ARG). Decepção. Ainda na temporada, voltou ao Hurácan. Nos dois clubes, o Timão bancou a maior parte do seu salário.

2012/2013 - Segue no Huracán, mas sem  brilho. E, agora, estará livre...


DE DENTRO DO CLUBE

Felipe Bolguese, repórter do Núcleo Corinthians

‘Novo Messi’ foi um erro do marketing

Mano não sabia a característica do Matías Defederico quando o contratou. A frase acima saiu de um membro da atual diretoria do Corinthians. Hoje, isso nunca aconteceria no clube, já que existem profissionais que mapeiam atletas, comissão técnica e diretoria analisam nomes de forma conjunta...Na época, Defederico foi contratado pela repercussão que tinha na Argentina, apontado como o “Novo Messi”. Um erro motivado pelo apelo do marketing. Zizao, mesmo com o carisma, é um erro. O Corinthians não precisa de jogador nenhum para abrir mercado na Ásia. É o campeão do mundo que invadiu o Japão. Manter um jogador, que não joga, para fazer oba-oba para a torcida, não é coisa de um clube profissional.

TITE TEVE DOR DE CABEÇA COM ELE

Tite chegou ao Corinthians em outubro de 2010, quando Matias Defederico já estava em baixa e até sendo “rebaixado” para atuar na equipe sub-23. Apesar da pouca convivência no CT Joaquim Grava, o treinador teve problema com o argentino.

Um problema, na verdade, inusitado no cenário do futebol. O comandante teve dor de cabeça para receber o aluguel do apartamento que estava alugado ao meia-atacante, que chegou a ficar meses inadimplente.

Tite, que é representado há quase dez anos por uma empresa em relação à condução dos empréstimos e pagamentos do imóvel, teve de conversar com Defederico para resolver a pendência. O treinador chegou a confirmar a conversa em entrevista coletiva.

 

ACADEMIA LANCE!

João Henrique Areias
Ex-diretor de marketing do Flamengo

O modelo de gestão que pego como exemplo é o do Real Madrid, que é o clube que mais fatura no mundo, alternando a primeira posição com o Manchester United em questão de faturamento. O Real tem o modelo como o nosso. O presidente eleito, que não ganha nada, como os daqui, faz parte de um conselho gestor que planeja o clube. Ele não vai tanto ao clube e tem embaixo dele toda uma estrutura profissional.

Tem o CEO, que é o diretor-executivo, e, embaixo deste, três posições fundamentais da organização. É como se fosse um time: defesa, meio de campo e ataque. Ele tem o diretor econômico na defesa, que é o cara que cuida das finanças, administração, RH, TI, jurídico etc. No meio de campo tem o direitor de negócios, que cuida de marketing, comunicação e comercial. E, no ataque, tem o diretor esportivo, que é o Jorge Valdano, que cuida do futebol e do basquete.

Esses quatro executivos se reúnem para qualquer tipo de contratação. Então, quem dá a palavra final não é o marketing, que é a atividade meio, mas sim a atividade fim, que é o diretor esportivo. Mas o marketing participa desde o início, porque dependendo do jogador que vai ser contratado, se for um galáctico, que á a política do clube, o marketing já se prepara desde o início para buscar recursos para pagar o jogador.

Aqui no Brasil, normalmente, o diretor esportivo, ou de futebol, senta com o presidente para contratar e depois o diretor financeiro que se vire para pagar e o de marketing se vire para conseguir dinheiro. O marketing deve entrar na contratação, sim, muito mais para apoiar e não para tomar decisão quanto à contratação do jogador. A responsabilidade tem que ser necessariamente do diretor esportivo, ou de futebol.

Você comentarista: