Entidade divulga nota de pesar por morte de operário no DF

ICM destacou falta de diálogo e de treinamento adequado oferecido pelos empregadores

LANCEPRESS! - 14/06/2012 - 14:03 Brasília (DF)

Obras do Estádio Nacional, em Brasília (DF) (Foto: Divulgação/FIFA)

A Internacional dos Trabalhadores da Construção e da Madeira (ICM), federação sindical que representa trabalhadores em mais de 120 países, divulgou nota lamentando a morte trabalhador José Afonso de Oliveira Rodrigues, que despencou de uma altura de 30 metros quando trabalhava nas obras do Estádio Mané Garrincha, em Brasília.

A ICM reclamou da falta de diálogo entre trabalhadores, Fifa e Comitê Local da Copa, governos e empresas, além de destacar a falta de planejamento e treinamento proporcionado pelos empregadores.

Confira a íntegra da nota:

'Reunidos em meio aos eventos relativos à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), na cidade do Rio de Janeiro, nós, da Internacional dos Trabalhadores da Construção e da Madeira (ICM), federação sindical internacional que representa cerca de 12 milhões de trabalhadores em mais de 120 países, incluindo as principais organizações sindicais do setor no Brasil, vimos por meio desta declaração expressar o profundo pesar e a indignação com relação à morte do trabalhador José Afonso de Oliveira Rodrigues, do setor da construção, enquanto desempenhava suas atividades no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, que será utilizado para os jogos da Copa de 2014.

Entendemos que esta é a primeira morte nas obras que preparam o país para a Copa de 2014. E isto já é demais. Podemos perceber que as experiências negativas vivenciadas nos preparativos de outros megaeventos esportivos voltam a se repetir. Nas obras que antecederam a Eurocopa de 2012, diversos trabalhadores perderam suas vidas enquanto trabalhavam para que grandes espetáculos esportivos pudessem ocorrer. Vítimas da falta de planejamento, da falta de treinamento proporcionado pelos empregadores e, em especial, pela falta de critérios sociais que controlem as condições de trabalho nos canteiros de obra, tais acidentes tornam-se um fato corriqueiro no setor da construção, ainda que inaceitável.

Com relação à Copa de 2014, a ausência de diálogo entre FIFA, CBF, governos e empresas junto aos trabalhadores implicam com que estes últimos, junto com seus sindicatos, sejam excluídos dos debates sobre a organização dos jogos. Evita-se, com isso, que os critérios sociais que deveriam orientar os preparativos de eventos esportivos sejam debatidos suficientemente a ponto de que se tornem referência e evitem acidentes como o ocorrido em Brasília.
De nossa parte, enquanto organizações sindicais de trabalhadores, seguiremos trabalhando para evitar que situações como esta se repitam'.

Ambet Yuson,
Secretário geral da ICM

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