Torcedores pulam catracas em jogo do Ceará no PV
Segurança falha e invasão acontece no jogo 500 de Dimas. Clube diz que faltaram policiais. Federação e PM responsabilizam Vovô
Igor Siqueira
Publicada em 02/02/2012 às 22:08
Rio de Janeiro (RJ)
No gramado, homenagem ao 500º jogo de Dimas Filgueiras no comando do Ceará. No lado de fora, uma confusão generalizada, com torcedores pulando as catracas. Esse foi o cenário da noite de quarta-feira, no estádio Presidente Vargas, quando quase 20 mil pessoas viram a goleada do Vozão sobre o Tiradentes, por 5 a 1.
A desorganização em uma das três entradas do principal estádio de Fortaleza no momento, já que o Castelão está em obras para a Copa-2014, foi registrada pelos próprios torcedores.
Diante da confusão que ocorreu na partida do Ceará, uma reunião no Núcleo de Defesa do Torcedor (Nudetor), ligado ao Ministério Público do Ceará (MP-CE), aconteceu nesta quinta-feira para evitar novos problemas. O encontro teve a presença do presidente da FCF, Mauro Carmélio, e do comandante de eventos da Polícia Militar, o major George Benício.
Indagado sobre de quem seria a responsabilidade para controlar o acesso da torcida, o vice-presidente do Ceará, Róbinson de Castro, culpou a Federação Cearense e a Polícia Militar por não controlarem o ímpeto do torcedor.
– O estádio não tem estrutura para receber tanta gente. O problema maior foi a falta de policiamento. Como é que os catraqueiros vão conter uma multidão? Além disso, quem tinha que controlar a entrada era a Federação e quem administra o PV – disse Róbinson.
No entanto, o discurso alvinegro contraria a palavra do presidente da FCF, Mauro Carmélio, e do Estatuto do Torcedor, que afirmam ser do clube mandante a tarefa de organizar a entrada da torcida.
– O Róbinson se equivocou. O problema é que o plano de ação para a partida, feito pelo Ceará, não previa tanta gente. É o clube quem deveria dar todo aparato para evitar que essa invasão. Ao menos não houve prejuízo, já que quem pulou tinha ingresso – disse Carmélio.
O representante da PM reforçou que o erro foi do Ceará.
– Eles solicitaram apenas 140 policiais para o jogo. Cerca de 50% a menos do que o normal e longe do necessário para quase 20 mil pessoas. Tínhamos PMs para 12 mil pessoas – explicou.
| Róbinson de Castro Vice-presidente do Ceará "Faltou estrutura ao Presidente Vargas" A partida teve um apelo muito grande por conta do Dimas, que completou 500 jogos. Mas o problema é que não tinha gente para impedir a entrada desordenada desses torcedores. Além disso, o preço do ingresso estava muito baixo: R$ 10. Faltou estrutura ao Presidente Vargas. No Castelão, isso nunca aconteceu. Da próxima vez, é preciso mais policiamento, aumentar as vendas antecipadas e o preço dos ingressos. | Mauro Carmélio Presidente da Federação Cearense "Federação não tem nada a ver com isso" A Federação não tem absolutamente nada a ver com essa confusão. O clube é quem prepara todo o aparato para o jogo, como a segurança nas catracas e os fiscais para ajudarem os torcedores a entrarem no estádio. Nada passa pela Federação. Para a rodada de domingo, já faremos alguns ajustes. A definição foi justamente na reunião que tivemos no Nudetor. O Ministério Público vai cobrar do Ceará as explicações para o incidente de quarta-feira passada. |
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