Cruzeiro aposta em desconhecidos em 2012

Contratações tem a confiança da diretoria, mas não empolgam a torcida

Marcelo Oliveira - Cruzeiro (Foto: Gil Leonardi) Marcelo Oliveira foi o destaque entre os novatos no jogo contra o América(Foto: Gil Leonardi)

LANCEPRESS!
Publicada em 25/01/2012 às 11:50
Belo Horizonte

Dos dez reforços que desembarcaram no Aeroporto de Confins com destino à Toca da Raposa neste ano, nenhum deles veio de algum clube da Série A, muito menos estavam sob os holofotes da mídia e na boca do povo. Foram dois atletas vindos da Segunda Divisão (Mateus e Thiago Carvalho), quatro vindos da periferia da Europa ou de países longe do centro do futebol (Arias, Walter e Fábio Lopes) e quatro de times rebaixados para a Segundona (Amaral, Rudnei, Gilson e Marcelo Oliveira).

Com um elenco formado por atletas com currículo tão modesto, não é de se espantar que a torcida cruzeirense fique desconfiada e desanimada. O efeito já foi sentido no amistoso contra o Coelho, que teve um público irrisório inferior a 3.000 pagantes.

Porém, alguns desses atletas recém-chegados podem surpreender. O volante Marcelo Oliveira, por exemplo, arrancou elogios de Vágner Mancini após o clássico contra o América-MG.

- Acho que o Marcelo fez uma ótima estreia, teve desenvoltura, foi utilizado no meio-campo, depois teve que cobrir o setor esquerdo, que não é a dele, até pela dificuldade que tínhamos de atleta suportando o jogo naquele momento – comentou.

Contudo, as coisas ainda podem melhor. De acordo com Gilvan de Pinho Tavares, o grupo ainda não está fechado e mais gente pode chegar à Toca da Raposa. A ideia é usar o Campeonato Mineiro como base para saber o quanto o time celeste ainda precisa se reforçar.

- O grupo nunca está completamente fechado. O Campeonato Mineiro vai nos servir de laboratório. Vamos ver como vai ser o comportamento desse grupo, que está nas mãos do nosso treinador, para ver se precisamos de mais algum atleta. Se precisar, vamos correr atrás – esclareceu o mandatário.

5 APOSTAS QUE DERAM CERTO...

Ramires: O volante começou como lateral-direito no Joinville. Foi contratado pela Raposa em 2007 por 350 mil reais e fez sucesso com a camisa estrelada graças a sua versatilidade e raça. Ganhou o apelido de “Pernalonga Azul” por causa de sua velocidade e agilidade. Foi transferido para o Benfica e depois para o Chelsea por R$ 50 milhões. Na Inglaterra ele é conhecido como “Rambo”, devido a sua garra.

Henrique: O atleta formou um dos trios de volantes mais consistentes do futebol brasileiro ao lado de Marquinhos Paraná e Fabrício. O jogador havia atuado no Londrina, no Figueirense e no Jubilo Iwata, do Japão, antes de chegar ao Cruzeiro sob o aval do técnico Adílson Batista. No início, teve que lidar com a desconfiança do torcedor, mas deu a volta por cima e sua venda para o Santos em 2011 é lamentada até hoje.

Marquinhos Paraná: Parecia que o jogador estava fadado ao fracasso desde que entrou no time. Na sua apresentação, desmaiou em frente às câmeras e foi vaiado pela torcida na estreia pelo Campeonato Mineiro. Porém, ficou conhecido por ser peça constante na equipe titular, conquistando uma marca impressionante: passou 3.824 minutos em campo na temporada passada, o que representa uma média de 86 minutos de atuação por jogo!

Marcelo Moreno: O atacante boliviano chegou do Vitória em 2007 e se consagrou com a camisa do Cruzeiro como artilheiro da Libertadores de 2008, com oito gols. É conhecido pela força de vontade e determinação. Filho de brasileiro, o jogador já vestiu a camisa da Seleção Brasileira nas categorias de base pelas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2010. Moreno, que estava no Werder Bremen, foi comprado pelo Grêmio por 6 milhões de euros.

Leonardo Silva: Começou a carreira no América-RJ, passou por Brasiliense, Bahia e Palmeiras. Atuou emprestado em diversos clubes, entre eles Portuguesa e Juventude, mas foi com a camisa do Vitória que o beque despontou. Foi campeão baiano de 2008 e se transferiu para a Raposa no ano seguinte, sendo campeão mineiro na mesma temporada. Ironicamente, o jogador, conhecido por grandes atuações contra o rival Atlético, não renovou seu contrato com os celestes e foi vestir a camisa do Galo no ano passado.

 ...e 5 QUE DERAM ERRADO:

Bruninho: O meia de 21 anos chegou à Toca da Raposa como uma grande promessa. Revelado no Fluminense de Feira de Santana, o atleta passou pelos clubes da capital baiana mas não deu certo. Foi apenas no Bahia de Feira de Santana que o garoto despontou. Porém, não teve oportunidades no time mineiro e foi emprestado ao Nacional de Nova Serrana para a disputa do Campeonato Mineiro deste ano.

André Dias: Chegou no ano passado junto com uma leva de atacantes. O atleta tinha no currículo passagens por clubes modestos como Mirassol, Iraty, São Bento e Juventus-SP. Fez relativo sucesso no Vasco da Gama, onde fez dupla com Romário. Não teve sucesso com a camisa celeste, apesar de ter estreado marcando o gol da vitória do Cruzeiro contra o Villa Nova, por 1 a 0. Se transferiu para o América, mas acabou saindo por causa de uma discussão com o técnico Givanildo. O atleta acertou recentemente a sua ida para o Botafogo-SP.

Fabrício Carioca: O zagueiro começou nas categorias de base do Flamengo, foi emprestado ao time profissional do Paraná e dali foi se mudando de clube em clube. Passou pelo Hoffenheim, da Alemanha, pelo Desportivo Brasil e Palmeiras. Chegou ao Cruzeiro sendo apontado como um atleta polivalente, que podia atuar também pela lateral-esquerda. Acabou não sendo aproveitado em nenhuma dessas funções e foi transferido para o Atlético-PR.

Héctor Tapia: O atacante chileno chegou ao Cruzeiro em 2004 sob as recomendações do volante Maldonado. Com passagens pela Seleção Chilena, Colo-Colo, Perugia, da Itália, e Lille, da França, muito se esperava do centroavante. Porém, não foi bem com a camisa celeste. Em 2010, o site Terra incluiu Tapia entre as 100 piores contratações realizadas por um clube brasileiro nos últimos 15 anos.

Andrey: O goleiro é a prova de que até os atletas que chegam para a posição de reservas podem ser completamente limados da lembrança do torcedor. O arqueiro, com passagens por grandes clubes, como Grêmio e Atlético-PR, chegou para ser banco de Fábio, mas na primeira oportunidade que teve, contra o modestíssimo Rio Branco, de Andradas, o goleiro levou um frango desconcertante. Nunca mais teve outra chance.

Você comentarista:

  • Curta nossa página e comente! Comentar

TAGS