STJD vai julgar denúncias de corrupção na arbitragem

Paulo Schmitt falou ao LNET! que caso pode até culminar na prisão do acusado Sérgio Corrêa, presidente da Conaf

Gutemberg de Paula Fonseca (Foto: Agência Lance!) Gutemberg de Paula Fonseca denunciou supostos esquemas na arbitragem (Foto: Agência Lance!)

LANCEPRESS!
Publicada em 07/01/2012 às 19:38
Rio de Janeiro (RJ)

As denúncias de corrupção do árbitro Gutemberg de Paula Fonseca (RJ) contra o presidente da Comissão Nacional de Arbitragem (Conaf), Sérgio Corrêa, vão ter grandes consequências. O caso será levado ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

O procurador do STJD, Paulo Schmitt, pediu a instauração de um inquérito para investigar as acusações de corrupção e favorecimento do presidente da Comissão de Arbitragem feitas por Gutemberg. O pedido será analisado pelo presidente da entidade jurídica, Rubens Approbato e, se acatado, o caso será investigado.

- Estou pedindo para ouvir o Gutemberg de Paula, que diz ter um dossiê com mais de mil páginas sobre o caso, e para ouvir o Sérgio Corrêa também. Já pedi para anexar todas as entrevistas - explicou Paulo Schmitt, ao LANCENET!

O procurador se surpreendeu com a atitude do árbitro, que decidiu revelar a suposta corrupção somente após ter deixado o quadro da Fifa. Gutemberg não terá escapatória. Será acusado tanto se as acusações forem verídicas ou não.

- É uma coisa estranha. Acusar de corrupção significa que ele participou também porque não falou antes e continuou a apitar nessas condições. Só agora que perdeu a Fifa veio falar em público. Nada justifica o silêncio dele durante esse tempo, o que levanta suspeita sobre a veracidade das acusações. Mas é um caso que é preciso ser apurado - disse o procurador.

Se o árbitro não comprovar as denúncias, será enquadrado no artigo 221 do Código Brasileiro de Justiça Despotiva (CBJD), que pune quem "dar causa, por erro grosseiro à instauração de inquérito ou processo na Justiça Desportiva".

Já Sérgio Corrêa, caso se comprove a corrupção, será julgado no artigo 239, "deixar de praticar ato de ofício por interesse pessoal ou para favorecer outrem". Segundo o procurador, o caso poderá ir além da esfera esportiva e culminar na prisão do acusado.

- A acusação, como denunciação caluniosa, não é só crime de natureza esportiva, isso tudo vai para a Justiça comum. Não dá para as pessoas ficarem impunes, a denúncia vai ocorrer - afirmou Schmitt.

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