Oswaldo busca emplacar na era dos pontos corridos

BIcampeão brasileiro nos tempos do mata-mata, treinador ainda não teve sucesso com fórmula vigente desde 2003

Raphael Bózeo - 18/05/2012 - 07:12 Saquarema (RJ)

Oswaldo de Oliveira - Botafogo (Foto: Alexandre Loureiro)

A era de pontos corridos do Campeonato Brasileiro ainda é um desafio para Oswaldo de Oliveira. Desde que o sistema foi implementado, em 2003, o treinador só participou de três edições e ainda não conseguiu um resultado de expressão. Além disso, só terminou o ano empregado uma vez, levando o Cruzeiro ao décimo lugar, em 2006.

Entretanto, é agora que ele tem a melhor chance de carimbar o nome de vez neste novo modelo de disputa. Pela primeira vez no futebol brasileiro, poderá começar e terminar a temporada em um mesmo clube:

– Não tive essa chance de iniciar o trabalho cedo. Só no Corinthians, em 1999, ainda no mata-mata. É algo fundamental – disse Oswaldo, ao LANCENET!.

Em 2003, ele começou a competição no São Paulo, foi para o Flamengo e deixou o Rubro-Negro em outubro, antes do término do Brasileirão.

No ano seguinte, trabalhou apenas dois meses no Vitória, ainda no primeiro turno. Após passar uma temporada no Qatar, voltou em 2006, quando começou o Brasileiro no Fluminense e o encerrou no Cruzeiro. Porém, a falta de continuidade foi lamentada por ele:

– Essa mudança é ruim. Se somar os pontos que fiz em 2006 por Cruzeiro e Fluminense, teria ido para a Libertadores – analisou.

Se na era dos pontos corridos, ele ainda busca um título, no antigo sistema fez campanhas excelentes. Foram quatro participações e dois títulos. Pelo Corinthians, em 1999, e Vasco, em 2000, quando não participou da final. Em 2001, levou o Fluminense ao terceiro lugar e em 2002 terminou a fase classificatória em primeiro, com o São Paulo, mas foi eliminado pelo Santos.

Com as ferramentas na mão, é a hora de Oswaldo construir mais uma história.

BATE-BOLA

Oswaldo de Oliveira

Exclusivo ao LANCENET!, em Saquarema (RJ)

O que faltou para vencer um título brasileiro de pontos corridos?
É preciso tempo para consolidar o trabalho. O Botafogo hoje me oferece esta possibilidade. Anteriormente, não comandei um time como estou fazendo agora.

Hoje, os clubes estão mantendo mais os técnicos. Isso ajuda?
Sem dúvida. Um exemplo foi em 2004, no Vitória. O clube estava em uma situação difícil, sabia disso e até falei. No Fluminense, em 2006, saí no início do trabalho também.

Como você avalia o trabalho no Botafogo?
Está bom. Ainda vamos fazer ajustes, mas estamos no caminho certo.

Sonha com esse título brasileiro?
Estamos trabalhando para isso.

NO JAPÃO, TÉCNICO FOI TRI

Se Oswaldo de Oliveira ainda não conquistou títulos brasileiros na fórmula dos pontos corridos, no Japão ele venceu três competições nacionais neste modelo, em cinco temporadas na Terra do Sol Nascente. O técnico comandou o Kashima Antlers na conquista do tricampeonato nacional entre 2007 e 2009.

A experiência no outro lado do mundo rendeu bons frutos a ele. Além dos títulos, ele aprendeu com a cultura japonesa e afirma implementá-la no trabalho:

– Lá eles são bem disciplinados. Isso foi importante. Conseguimos vencer três competições em três anos. Foi uma experiência muito boa para mim e, com certeza, fez diferença na carreira – contou.

Além do tricampeonato, Oswaldo faturou duas Copas do Imperador, duas Supercopas e uma Copa da Liga Japonesa.

O meia Fellype Gabriel, com quem trabalhou no Kashima em 2010 e 2011, não conseguiu o título nacional ao lado do comandante. Porém, ele destacou a moral que Oswaldo de Oliveira tem no Japão:

– Lá, o homem é rei - brincou.

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