|
 |
Lado B do Esporte
Meu pai me jogava na piscina do clube desde pequenininho. Depois, fui levado a uma escolinha de basquete. Meses depois, era o camisa 8 de um time de futebol e 5 no de futsal. No colégio, fui campeão no atletismo e no vôlei. Adolescente, passei a jogar tênis. Mas, no final, virei jornalista - meu esporte favorito - no qual já escrevi sobre golfe, rali, boliche, esqui, hóquei sobre grama, nado sincronizado, badminton, esgrima...
marcelm@lancenet.com.br |
Menino da Vila na Copa do Mundopostado por Marcel Merguizo Imagine a cena, torcedor:
O técnico Dunga resolve visitar um amigo em Alphaville e, de helicóptero, vai à Arena Barueri assistir ao San-São.
Era a reestreia de seu queridinho Robinho, jogador de confiança que esteve sempre ao seu lado na Seleção Brasileira.
Dunga também aproveita para tirar possíveis dúvidas sobre Hernanes e Miranda, que ainda sonham com a ida à África do Sul.
Afinal, nesta terça-feira, às 11 horas, tem convocação para o amistoso contra a Irlanda, em 2 de março, e rumo à sede da CBF, no Rio de Janeiro,
não custaria o técnico dar uma passada em Barueri.
Robinho começa no banco. Dunga coça a cabeça e lembra que, no Manchester City, era justamente essa cena que mais o incomodava
nos últimos meses.
Enquanto isso, o treinador vê Neymar. "Lembra Robinho, não?", reflete. E o menino que acabou de completar 18 anos dá seu show. Copa
do Mundo? Muito cedo! Mas Dunga lembra de 1994, quando foi companheiro do menino Ronaldo.
E esse Ganso? Verdade, e ele?
De volta ao jogo, vê Miranda, seu quarto zagueiro... Pênalti! Péssimo dia. Então, uma espiadinha em Hernanes, que ainda tem chance... Ainda tem mesmo?
Dunga, então, esquece os sãopaulinos. É melhor olhar para Neymar, que fez Rogério Ceni
(goleiro de Copa do Mundo, lembra?) de bobo no pênalti. E ainda tinha Robinho. E teve gol de letra!
Era o suficiente.
Pronto! Pare de imaginar, torcedor. O menino da Vila vai pra Copa. Agora, se vai mais do que um, só Dunga sabe responder.
|
Robinho no 'Show do Milhão!'postado por Marcel Merguizo Ao ler no LANCENET! a informação de que, convertido à moeda brasileira, o salário mensal de Robinho, já com descontos, gira em torno de R$ 1 milhão, logo lembrei no “Show do Milhão”, aquele de Sílvio Santos, e imaginei o Rei das Pedaladas no programa:
A pergunta valendo R$ 1 milhão é:
“Em qual clube você, Robinho, vai jogar?”
a) Santos;
b) São Paulo;
c) Manchester City
Então, Robinho pensa, pensa e resolve pular a pergunta. Mas, atualmente, ele não pode mais pular, driblar, comemorar... Afinal, mal joga.
É a hora que pede ajuda dos universitários. Bingo! Mas os administradores divergem sobre o assunto: Juvenal indica o Morumbi; Luis Álvaro, a Vila Belmiro. Em seguida, a ajuda das placas. E a réplica não é esclarecedora: torcidas divididas! Por fim, sobram as cartas (na manga): agradar ao City ou a Robinho? A resposta que vale um milhão por mês pode vir logo.
E Robinho sai ganhando!
Publicado no Diário LANCE! de 27 de janeiro de 2010
|
Com justiça, São Paulo é tricampeão da Copinhapostado por Marcel Merguizo Justamente no ano que começou com garotos da base recorrendo à Justiça do Trabalho para obter liberação do clube, o São Paulo conquistou pela terceira vez a Copinha.
Justamente no dia do aniversário de São Paulo, o clube que leva o nome da cidade conquistou seu tri (como já é da Libertadores e do Mundial), após seis vice-campeonatos e exatamente dez anos sem conquistas no mais tradicional torneio de juniores do país.
Justamente no aniversário de Robinho, que nasceu no mesmo dia do último título santista na Copinha, em 25 de janeiro de 1984, e está de malas prontas para retornar à Vila Belmiro, o Peixe teve nas mãos o bicampeonato, mas caiu nos pênaltis.
Justamente o goleiro Richard, que devia ter sido expulso aos 6 minutos do segundo tempo, ao fazer falta duríssima em Renan Mota – autor do gol dos Peixinhos –, foi quem pegou as três cobranças na decisão.
Justamente nos pênaltis, que já derrubou o São Paulo em quatro finais de Copa São Paulo.
Justamente no primeiro ano do técnico Sergio Baresi, em substituição a Marcos Vizolli, que ficou sete temporadas à frente dos juniores.
Justamente na final, o Tricolorzinho não contou com os gols do artilheiro da Copinha, Lucas Gaúcho, com 9 gols. Então, Ronieli fez um golaço de voleio, de fora da área, aos 39 minutos do segundo tempo.
Justamente Ronieli, o único que já foi aproveitado entre os profissionais do Sampa, empatou o jogo (1 a 1). Assim como Alan Patrick, melhor em campo, ontem, e que também já atuou no time de cima, deu a assistência para o gol de Renan Mota, aos 18 do primeiro tempo.
Justamente um goleiro que se inspira em Rogério Ceni (campeão da Copinha em 1993) e um atacante que lembra Júlio Baptista (campeão em 2000) foram heróis no tri.
Justo. Título mais do que merecido para o melhor ataque, o melhor time e a melhor campanha da Copinha deste ano. Justíssimo! |
Quando éramos inocentespostado por Marcel Merguizo Em 1995, inocente, eu ainda sonhava em ser jogador de futebol. Estudava, depois pegava dois ônibus para treinar no Atlético Sorocaba. Eu também ia ao estádio na inocência do torcedor apaixonado. Nunca tive camisa de torcida organizada, mas tenho muitos parentes e amigos que, inocentemente, as ostentavam. Na época, aos 13 anos, achava legal aqueles gritos de guerra – literalmente –, e não reparava que exaltam a torcida e omitiam o nome do clube.
Mas em 1995 houve um Palmeiras x São Paulo, final da Supercopa dos Campeões da Copa São Paulo. Você não lembra do resultado? Digo-lhe: um torcedor morto e 101 feridos.
Aquela batalha campal – literalmente –, deveria ter mudado o rumo do futebol no país. Houve tentativa de extinção das facções organizadas, proibição de bebidas alcoólicas, de instrumentos, de bandeiras e... pouco mudou. Inocentados?
A Polícia Militar e o Ministério Público já estão preocupados com a final da Copinha, amanhã. Como é em qualquer clássico Brasil afora. O entorno de qualquer estádio do país da Copa-2014 ainda é uma zona – literalmente – de batalha.
A mudança também se dá dentro das quatro linhas. Hoje, as revelações da Copinha entram na Justiça para deixar os clubes. Quem fica, é porque conseguiu um salário repleto de zeros. Claro, depois de pressão de seus empresários.
Nessas horas, tenho saudade do garoto inocente que queria ser jogador, não ganhar dinheiro; ser torcedor, não bandido. Foi-se a inocência. Mas não são inocentes os que ainda tentam acabar com o futebol, dentro e fora de campo.
Publicado no Diário LANCE! de 24 de janeiro de 2010
|
Rebeldes sem causa no São Paulopostado por Marcel Merguizo Ontem, no caminho para a redação do LANCE!, ouvi a música "Rebelde sem Causa" do Ultraje a Rigor e logo me veio à cabeça a atual situação dos garotos da base do São Paulo (Oscar, Diogo e Lucas), que, estimulados por seus empresários, entraram na Justiça trabalhista contra o clube.
Então, resolvi escrever esta versão da letra do vocalista e guitarrista Roger (líder do Ultraje), um são-paulino fanático, inteligente, criativo, e, por isso, espero que ele entenda por que usei uma de suas letras para tratar dos “rebeldes sem causa” vindos de Cotia.
Segue:
Meu clube me trata muito bem
(O que é que você tem que não fala com ninguém?)
Meu clube me dá muito carinho
(Então porque você se sente sempre tão sozinho?)
Meu clube me compreende totalmente
(Como é que cê se sente, desabafa aqui com a gente!)
Meu clube me dá apoio moral
(Não dá pra ser legal, só pode ficar mal!)
Meu clube até me deu uma casa
Ele acha bom que o filho não caia na farra
E o meu carro foi meu clube que deu
Filho homem tem que ter um carro seu
Fazem questão que eu só ande produzido
Se orgulham de ver o filhinho tão bonito
Me dão dinheiro pra eu gastar com a mulherada
Eu realmente não preciso mais de nada
Meu clube não quer
Que eu fique legal
Meu clube não quer
Que eu seja internacional
Não vai dar, assim não vai dar
Como é que eu vou crescer sem ter com quem me revoltar
Não vai dar, assim não vai dar
Pra eu amadurecer sem ter com quem me rebelar
Mamama mamamama...
Papapapa papapapa...
Publicado no Diário LANCE! de 15 de janeiro de 2010
|
O Corinthians do filho do Brasilpostado por Marcel Merguizo Companheiro Lula, sei que o senhor gosta de ditos populares, então, em relação ao que seu filho revela ao LANCE! (o senhor brinca dizendo que um dia quer ser presidente do Corinthians), lembro que: “Toda brincadeira tem um fundo de verdade”. Assim sendo, é bom se preparar para ser – quem duvida? – o futuro presidente do Timão. Entenda:
No futebol, mensalão é mala branca. Bolsa-família é título conquistado. Esquema deveria ser apenas o tático. Partido deve ser um só, a torcida. Já partido aliado é torcida organizada, porém comprada. Ministros são seus jogadores. Mas sua Dilma precisa ser craque e com muito carisma.
Não basta, contudo, ser um dos maiores economistas do mundo, como seu amigo Belluzzo, ou, tampouco, um populista (lembra de Eurico?). Se sonha – mesmo por brincadeira – ser presidente do Timão, é bom saber que há mais semelhanças entre o futebol e a política do que sonha sua vã filosofia. E, depois, não vai dizer que não sabia.
publicado no Diário LANCE! de 12 de janeiro de 2010
|
Começa o iê-iê-iê do centenáriopostado por Marcel Merguizo Roberto Carlos, ou melhor, Bé – apelido revelado nas páginas 4 e 5 do LANCE! desta segunda-feira –, vejo semelhanças entre você e o Rei que vão além do nome: são daqueles ídolos brasileiros marcados pelo ame ou odeie!
É uma brasa, mora! Assim é sua espetacular carreira. Agora, porém, os rivais vão dizer que você é somente o Rei da Velha Guarda ao lado do Tremendão Ronaldo. Então, mostre que ainda é como os “Jovens nas tardes de domingo”. Se lembrarem que prometeu se aposentar após descer “As curvas da estrada de Santos”, diga que “É preciso saber viver”. E o centenário corintiano promete fortes “Emoções”, desde que títulos não sejam apenas “Detalhes”. Quem sabe, você volta a vestir “Verde e Amarelo” este ano. Seria “Além do horizonte” neste momento, mas, sensacional para esquecer (o meião) 2006. “Fera ferida”, você pode dizer: “Eu sou terrível” e, até, “Quero que vá tudo para o inferno”. Mas o que o corintiano deseja cantar, antes do especial de fim de ano, é “Eu te amo”!
(publicado no Diário LANCE! de 4 de janeiro de 2010)
|
| |
|
|
|
|