'Hoje, meu retorno ao Galo é difícil', diz Diego Alves

Vivendo um ótimo momento na carreira, como titular do gol do Valencia, ex-goleiro do Atlético-MG conversou com o LANCENET!

Frederico Ribeiro - 16/06/2012 - 14:00 Belo Horizonte (MG)

Diego Alves defendeu o Galo entre 2005 e 2007 (FOTO: Divulgação)

O Atlético-MG começa bem no Campeonato Brasileiro. A torcida está ainda mais animada pela vinda de Ronaldinho Gaúcho. Porém, alguns pedidos por reforços ainda são ouvidos nas ruas de Belo Horizonte. E a posição que mais aparece nas solicitações da Massa é em relação ao goleiro. Não que Giovanni tenha falhado nos quatro jogos feitos até aqui no Brasileirão, mas o atual camisa 1 do Alvinegro ainda não possui 100% da confiança da torcida do Galo.

E quando se fala em problemass na meta do clube mineiro, o primeiro nome a ser citado é o de Diego Alves. Desde que Diego saiu do clube, no meio da temporada de 2007, diversos atletas tentaram substituí-lo com precisão, mas o que se viu foi um grande rodízio na posição e o começo de um drama.

De férias no Brasil, o goleiro Diego Alves faz questão de renovar seus laços afetivos com o Atlético-MG. O jogador, sempre que pode, visita a Cidade do Galo para rever velhos amigos. Só que seu retorno a Belo Horizonte, além de matar a saudade do torcedor atleticano, inevitavelmente cria uma expectativa pelo retorno do antigo camisa 1, tão importante na campanha que deu o título da série B para o Galo.

Em Ribeirão Preto, cidade que começou no futebol, Diego Alves curte o restante de seu tempo de descanso e aproveitou para conversar com o LANCENET! sobre sua relação de carinho com o Galo - e uma possível volta ao time-, o momento no Valencia e seu futuro na Seleção Brasileira.

Confira a entrevista exclusiva na íntegra:

LNET!: Recentemente, você esteve na Cidade do Galo e ainda marcou presença no jogo entre o Atlético e o Bahia, no Independência. Após alguns anos, o carinho pelo clube é o mesmo?

Diego Alves: Sim. Tenho um grande carinho pelo Atlético. E eu faço questão de guardar esse sentimento. Não posso simplesmente esquecer do tempo que passei no clube, da importância que ele tem para a minha formação como jogador profissional e da contribuição que centenas de pessoas dentro do Galo tiveram para que eu seja o goleiro que sou hoje.

L!: No Galo, você teve um momento ruim naquele jogo contra o Fortaleza, em 2005. Mas depois deu a volta por cima e conseguiu ganhar uma espécie de idolatria da torcida. Como foi essa reviravolta?

Diego: No começo, como titular do gol, tive esse momento conturbado. Foi muito díficil ter que lidar com isso. Era muito novo e entrei com o tme vivendo um momento delicado, brigando para não cair para a Série B. Mas isso foi uma lição aprendida, foi uma experiência ruim, mas que me ajudou no desenrolar da vida. Depois, continuei com meu trabalho dedicado e consegui colher os frutos. Fomos campeões da Série B e vencemos o Mineiro no ano seguinte com uma bela vitória de 4 a 0 contra o rival Cruzeiro.

L!: Quando se fala dos momentos dos atuais goleiros atleticanos, seu nome é sempre lembrado como o último que conseguiu uma regularidade na posição. Isso significa que seu nome está marcado no clube?

Diego: Eu fico muito contente. Signfica que o trabalho que fiz nesses anos que fui titular ficou marcado de alguma forma na mente dos torcedores. É algo que sinto quando visito Belo Horizonte novamente.

L!: Quando você volta para Belo Horizonte nas férias, você deve receber dos torcedores atleticanos muitos pedidos para voltar. Como você lida com isso?

Diego: Minha esposa e a família dela é de BH. Então, eu gosto de passar um tempo na cidade. Em relação aos contatos com a torcida, é sempre agradável. Este carinho é a recompensa que recebo por ter deixado um trabalho bem feito no Atlético. Eles me pedem para voltar ao time, falam que eu seria o goleiro ideal para o Atlético voltar a ser campeão nacional, me pedem para não pensar no lado financeiro, para eu voltar pensando no amor que sinto pelo Galo. Mas isso envolve muitas coisas além disso. Não posso te falar se teve contato do Atlético com o Valencia. Muita coisa não chega até mim. Hoje, seria difícil eu deixar o Valencia. Não que eu não gostaria de jogar no Atlético novamente, mas o Valencia fez um alto investimento para me ter. Me comprou do Almeria por um valor baixo, mas eles me valorizam muito, não me deixariam sair com facilidade.

L!: Em relação as torcidas, há grande diferença entre a Massa do Galo e os fãs de Almería e Valencia

Diego: É totalmente diferente. Não tem comparação entre eles. A torcida do Valencia é muito fiel, acompanha o time, torce mesmo. Do Almería é muito contagiante, mas nenhuma das duas se comparam com a do Atlético. Quem já jogou no Mineirão lotado de atleticanos sabe que ela é capaz de ganhar os jogos, de levar o time para frente. A torcida do Galo é mesmo diferente. Ela já passou por momentos  delicados, de puro sentimento. Mas parece que o sentimento é só fortalecido. Você vê a vinda do Ronaldinho Gaúcho causou no cidade. É loucura mesmo.

L!: No Valencia, seu contrato vence quando? Você pretende cumprir o vínculo com o time espanhol?

Diego: Meu contrato na espanha termina daqui 3 anos. No meio de 2016. Meu objetivo é isso. Claro que pode chegar uma proposta de outra equipe, mas tudo depende da vontade dos dirigentes do Valencia. Vivo um bom momento no time, sou titular e não creio que eles me deixariam sair assim.

L!: Você foi para a Espanha, defendeu o Almeria e foi contratado por um time de maior expressão. Mas no começo, sentiu dificuldade de adaptação?

Diego: No começo sim. Acredito que todo brasileiro deve sentir. É outro país, cultura diferente. Tive que lidar com um momento difícil logo nos dois primeiros meses de Almería. Estava no banco de reservas, sem jogar. Então, pensei: "saí do Atlético para jogar, ser titular. Se for para ficar no banco, prefiro voltar para o Brasil, voltar para o Atlético". Só que as coisas começaram a melhorar. No terceiro mês consegui a titularidade e me estabeleci no clube, tendo quebrado o recorde que era do Casillas (de minutos sem levar gols). Depois, me transferi para o Valencia. Hoje, estou bem, sou um goleiro muito respeitado pelos torcedores e pela mídia espanhola. Posso dizer que cumpri um objetivo, que era ir para a Europa e me fixar. Não queria ir para passear, como acontece com vários colegas de profissão.

L!: Sobre a Seleção Brasileira, você andou sendo convocado pelo Mano Menezes. Acredita que será convocado quando os preparativos para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, começarem?

Diego: Seleção é o objetivo de todo jogador. E defender nosso país em um mundial dentro de casa é ainda mais emocionante. Tive chances na Seleção e acredito que fiz boas exibições. Agora, depende do Mano, ele que define quem é convocado ou não. Minha única preocupação é seguir fazendo um bom trabalho, ajudar o Valencia em conseguir uma bem sucedida temporada, que logo começará. Assim, ficarei tranquilo e sei que se eu merecer, serei convocado para jogar na Seleção.

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